Recentemente tem sido divulgado, pela imprensa, internet e mídia televisiva leiga a possibilidade de diagnóstico e tratamento da Síndrome de Irlen.

Essa síndrome foi descrita pela psicóloga americana, Helen Irlen, em 1987 e enquadra indivíduos com dificuldade de adaptação ao contraste, e distorção da percepção na leitura, leitura lenta e ineficiente, perdas de palavras em linhas de leitura.

A Organização Mundial de Saúde não reconhece a Síndrome de Irlen como doença, mesmo sendo divulgada desde 1987. Apesar de toda a divulgação pela mídia, onde depoimentos de pacientes foram usados para difundir o tratamento, a literatura médica internacional conclui em vários artigos científicos de revisão que o tratamento preconizado não apresenta evidência científica de eficácia.

Cientes de que oftalmologistas e pediatras estão sendo contatados por familiares de crianças com dificuldade de aprendizado quanto ao milagroso e caro tratamento, só realizado em uma clínica de Belo Horizonte, o Departamento de Oftalmologia da SPSP, vem por meio desta esclarecer a comunidade pediátrica.

A posição do Departamento de Oftalmologia da SPSP é semelhante ao das Sociedades Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e Conselho Federal de Medicina de que não existem evidências científicas de que o uso de filtros coloridos traga benefício para crianças e adolescentes com dificuldade de aprendizado. Já em 2014 documento conjunto da Academia Americana de Pediatria, Academia Americana de Oftalmologia e a Associação Americana de Oftalmologia Pediátrica chegam a estas mesmas conclusões.

O Departamento de Oftalmologia da SPSP e a SBOP recomendam na suspeita de Distúrbio de Aprendizado o seguinte:
1. As crianças que apresentam sinais de dificuldades de aprendizagem devem ser referidas no início do processo, para avaliações diagnósticas médicas, educacionais, psicológicas e/ou neuropsicológicas.
2. Crianças com dificuldades de aprendizagem devem receber apoio adequado e intervenções educacionais combinadas com tratamentos psicológicos e médicos, conforme necessário.
3. Crianças com deficiência de aprendizado suspeita ou diagnosticada, devem ser encaminhados para um oftalmologista com experiência no cuidado de crianças e o exame oftalmológico completo deve ser realizado para afastar causas refracionais, ortopticas ou anatômicas que estejam influenciando na diminuição da capacidade visual, e, em consequência, dificultado a leitura para longe e perto e o processo de aprendizado.

Dra Rosa Maria Graziano – Presidente do Departamento de Oftalmologia
Dra Márcia Keiko Tabuse- Vice Presidente do Departamento de Oftalmologia
Dr Marcelo Costa – Secretário do Departamento de Oftalmologia

 

Link da matéria completa: 

http://www.spsp.org.br/2017/08/09/informe-aos-pediatras-sobre-sindrome-de-irlen/